Reflexões sobre a Violência é uma das obras mais inquietantes e decisivas do pensamento político do século XX. Escrito às vésperas das grandes convulsões sociais europeias, este livro de Georges Sorel atravessa as ilusões do progresso, do parlamentarismo e do pacifismo burguês para interrogar a força histórica dos mitos, da luta de classes e da violência coletiva. Longe de qualquer tratado sistemático, Sorel escreve como um autodidata combativo, movido menos pelo desejo de concluir do que pelo de despertar. Suas páginas avançam por aproximações, polêmicas e intuições filosóficas, numa prosa densa em que convivem Marx, Bergson, o sindicalismo revolucionário, a tragédia grega e a crítica feroz da decadência moderna. A greve geral surge aqui não apenas como programa político, mas como mito mobilizador capaz de devolver energia moral ao proletariado. Frequentemente reduzido a caricaturas, Sorel revela-se, nesta obra, um pensador impossível de enquadrar: inimigo tanto do conformismo burguês quanto do otimismo revolucionário fácil, crítico da democracia parlamentar, do jacobinismo, do reformismo e das filosofias do progresso automático. Sua reflexão sobre a violência não é uma apologia simplista da brutalidade, mas uma investigação sobre as forças morais, simbólicas e históricas que moldam os conflitos humanos. Mais de um século após sua publicação, Reflexões sobre a Violência permanece como um livro desconcertante, incômodo e extraordinariamente vivo - uma obra que continua a desafiar leitores de todas as correntes políticas e a exigir deles aquilo que Sorel mais valorizava: o esforço pessoal do pensamento.
AmazonPages: 189, Paperback, Independently published
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