A mesma palavra, quatro destinos - e nenhum deles decidido por quem a deu.Um devedor promete pagar; um Estado promete restituir um título; um candidato promete não aumentar impostos; duas pessoas prometem ficar juntas. A filosofia moral diz que as quatro promessas obrigam pela mesma razão: quem promete se obriga. Este livro mostra que a razão está no lugar errado. O devedor pode ser executado; o Estado não pode ser executado por ninguém; o candidato será cobrado em bloco, quatro anos depois, por um eleitor que se lembra mal; os cônjuges respondem um ao outro. O que decide o destino de cada palavra não está na palavra: está em quem a pode exigir, no que ficou registrado, no que sucede à quebra e em quem pode desobrigar.Ninguém promete sozinho. Prometer é ocupar uma posição numa arquitetura de exigibilidade - e a posição é distribuída, desigual e fabricada. Quem tem título para exigir é a cláusula que constitui a promessa; registro, consequência e liberação decidem que promessa há e o que ela vale. O livro percorre dez terrenos: a filosofia moral da promessa, a genealogia do animal a quem é lícito prometer, o contrato, a dívida soberana, Max Weber (com Cohn, Mommsen e Bendix), o mandato eleitoral, as promessas a quem não pode cobrar, Ulisses e a constituição, e uma teoria final com um gradiente de oito variáveis. Em cada um, o adversário é reconstruído na sua forma mais forte antes de ser respondido; num deles - o oitavo - a tese sai pior, e o custo é declarado.O que o leitor leva: uma distinção que atravessa o direito, a política e a moral - exigir não é cobrar -; uma figura que a filosofia nunca nomeou - o obrigado à revelia, cobrado por promessas que não fez -; e uma pergunta política nova sob a pergunta moral antiga: quem pode comprometer o futuro, quem recebe título para cobrar, e quem suportará os custos.
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