A maternidade é frequentemente apresentada como um destino de plenitude, mas, para muitas mulheres, revela-se um processo silencioso de apagamento. Nesta obra, a autora mapeia a erosão gradual da identidade feminina sob o peso de expectativas sociais que exigem o sacrifício total do eu. Longe de oferecer manuais de organização ou soluções superficiais, este livro propõe uma reflexão profunda sobre a agência pessoal e a coragem necessária para demarcar o seu próprio espaço. É fundamental ressaltar: isso não significa negligenciar - muito pelo contrário. Há uma diferença essencial entre equilíbrio e negligência: negligência é a omissão contínua do cuidado físico, da segurança, do afeto e da escuta atenta às necessidades reais da criança; equilíbrio é atender ao que é essencial com presença verdadeira, sem sobrecarregar-se ou anular-se para satisfazer exigências que não são suas. Cuidar de si mesma não é descuido com os filhos: é a base para um apoio estável, consciente e duradouro, tanto físico quanto emocional. Através de uma desconstrução lúcida dos papéis impostos - com base em Simone de Beauvoir, Élisabeth Badinter, Emmanuel Levinas e referências históricas, sociológicas e dados oficiais - o texto demonstra que recuperar o território do eu não subtrai afeto ao lar - pelo contrário, edifica um modelo de integridade que transforma toda a dinâmica familiar.
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