Este ensaio mostra que Sigmund Freud nunca elaborou uma estética sistemática comparável às de Kant ou de Hegel, mas que o conjunto da sua obra contém os elementos de uma verdadeira teoria da experiência artística. A estética freudiana não parte da definição do belo nem dos critérios do juízo estético; interessa-se pela origem psíquica da criação, pela função da obra de arte e pelos mecanismos inconscientes que tornam possível o prazer estético. A análise baseia-se principalmente nos textos dedicados ao sonho, ao fantasma, à sublimação, ao gracejo, ao estranho, bem como nos estudos sobre Leonardo da Vinci, Miguel Ângelo e Dostoievski. Estas obras mostram que a criação artística procede de um trabalho de transformação das pulsões. O artista não reproduz simplesmente a realidade: dá uma forma simbólica a desejos, conflitos e representações inconscientes. A sublimação surge assim como o mecanismo central que permite a passagem da energia pulsional para a produção cultural.
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