O Humano que Não Pode Estar Só propõe uma releitura rigorosa e estrutural de Gênesis 2, afastando-se conscientemente das interpretações teológicas, românticas e ideológicas acumuladas ao longo dos séculos. Em vez de tratar o texto como uma narrativa sobre afeto, moralidade ou hierarquia de gênero, esta obra examina o relato bíblico em seus próprios termos filológicos, literários e funcionais.A partir do hebraico original, o livro demonstra que o problema identificado em Gênesis 2:18 - "não é bom que o humano esteja só" - não se refere à solidão emocional, mas a uma falha estrutural: a instabilidade de uma autoridade humana singular, sem contraponto e sem limite. A criação da mulher surge, então, não como solução romântica, mas como um ajuste arquitetônico fundamental - a introdução da alteridade como contenção necessária.Com análises precisas de termos-chave como tôledôt, 'ēzer kəneḡdô, ṣēlā' e bānah, o autor revela uma antropologia relacional baseada em simetria tensional, jurisdição e limite. O texto apresenta a humanidade como uma díade funcional, projetada não para conforto, mas para estabilidade.Indicado para leitores interessados em exegese bíblica séria, estudos hebraicos, filosofia da alteridade e leitura estrutural do texto antigo, este livro oferece uma interpretação inovadora e intelectualmente honesta de um dos capítulos mais fundamentais da tradição bíblica.
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