MUITO PRAZER, O OUTRO ESQUECEU DE MIM Um ensaio sobre o que resta quando a memória para de gravar Amadeu acorda todas as manhãs no mesmo quarto que não reconhece - não porque o quarto tenha mudado, mas porque ele mudou. Uma encefalite apagou sua capacidade de gravar novas memórias, e cada despertar é, para ele, o primeiro. Regina, sua esposa, senta-se na beira da cama e conta, mais uma vez, a mesma história de sempre. Se identidade é memória, o que sobra de alguém quando o disco para de gravar? Frederico Nunes Costa constrói um ensaio que cruza neurociência, filosofia e narrativa através de cinco vidas - e de dois casos reais que atravessaram a história da ciência. Um pianista que esqueceu o nome da própria filha mas ainda toca peças inteiras de memória. Uma cuidadora que sustenta sozinha décadas de casamento que o marido não lembra mais. Um homem que perdeu quase quarenta anos da própria vida e precisou decidir se a biografia reconstruída de segunda mão ainda era, de fato, sua. Outro que escolheu, deliberadamente, apagar a temperatura emocional de uma lembrança que doía demais. Apoiado em décadas de pesquisa em neurociência e filosofia da identidade, o livro não oferece consolo fácil nem certezas confortáveis. Oferece algo mais honesto: a constatação de que, mesmo quando o arquivo falha, quase sempre resta alguém ali - só que falando por um canal que já não sabemos mais reconhecer. A segunda peça do díptico iniciado em Muito Prazer, o Outro Sou Eu. "Há, quase sempre, alguém ali."
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