Viver numa outra cultura não é apenas viver longe da nossa terra natal, mas sim mergulhar num outro mundo simbólico. Ao viver longe da minha terra natal, percebi que a cultura não é afetada por um discurso racional de um dia ou de um ano e que, para estabelecer um diálogo com o outro, é preciso tempo e paciência. Não se consegue compreender o outro senão reconstruindo, com paciência, o quebra-cabeças da sua história milenar. Acredito que nem a assimilação nem a integração podem conduzir à construção de uma nova convivência, se as culturas não fizerem um esforço consciente de diálogo intracultural, de tomada de consciência e de crítica interna, antes de se lançarem no diálogo intercultural. Sem uma auto-interpretação de cada um para se encontrar com o outro num terreno humano comum, todas as fórmulas de convivência intercultural estão condenadas ao fracasso.
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