As crônicas reunidas neste volume percorrem temas diversos, como a própria vida. Há o mundo em transformação, às vezes à beira do colapso, às vezes disfarçado de progresso. Há a tecnologia que avança, a memória que recua, o cotidiano que insiste em surpreender. Há o planeta sem plano b, o futuro que chega atrasado, o absurdo que rouba a cena e também aquilo que permanece, silencioso, enquanto tudo parece mudar. Nova Iorque aparece, naturalmente, nas ruas, nos gestos, nos pequenos rituais urbanos que vão desaparecendo ou se reinventando. Mas ela divide o espaço com o Brasil, esse país que surge, aqui e ali, nas entrelinhas, nas comparações inevitáveis, nas perguntas que não se calam. Um Brasil que devora sem mastigar, que hesita entre o que é e o que gostaria de ser, e que, mesmo à distância, continua íntimo. Os títulos destas crônicas já indicam o caminho: há inquietação, ironia, memória e uma certa desconfiança diante das certezas fáceis. Não se trata de explicar o mundo - tarefa grande demais para qualquer um - mas de observá-lo com atenção suficiente para perceber o que escapa à pressa do dia a dia. Talvez seja isso que este livro proponha: um exercício de olhar Nova Iorque e, a partir dela, reencontrar o Brasil. Porque, no fim das contas, não é apenas o lugar de onde escrevemos que importa, mas aquilo que carregamos conosco enquanto escrevemos. E isso, felizmente ou não, não conhece fronteiras.
AmazonPages: 150, Paperback, Independently published
Prijshistorie
* Prijshistorie bevat geen data van Amazon, Amazon Marketplace.
Prijzen voor het laatst bijgewerkt op: