"Eu tenho um homem interessado em mim e eu estou pensando em fugir do país."Bernardete tem sessenta e um anos, foi diretora de escola durante dezessete, e disse aquela frase com um humor tão seco que levei um segundo a perceber que ela não estava brincando.Divorciou-se há quatro anos, depois de trinta e dois de casamento. Foi ela que quis. E não se arrepende nem um dia.Há cinco meses que toma café duas vezes por semana com um homem de sessenta e seis. Ele já a convidou para jantar três vezes. Ela disse não às três.E não é pelo motivo que todo mundo pensaA irmã manda ela ir à academia. Uma amiga deu um creme. Todo mundo acha que ela tem vergonha da barriga."O problema não é ele ver o meu corpo. O problema é ele não saber nada."Aquele marido sabia tudo. Ao fim de trinta e dois anos sabia onde tocar, sabia do que ela gostava, sabia quando ela não estava com vontade só pelo jeito de sentar no sofá. Ela nunca precisou explicar nada a ninguém.E agora vai ter de se explicar a um estranho, aos sessenta e um anos, sobre uma coisa que talvez nunca tenha dito em voz alta na vida.O que assusta não é o corpo. É a boca.O terror não é da nudez - é de deixar de ser conhecida. E é por isso que este livro não começa no espelho nem na academia. Começa numa frase dita a alguém.E há uma vantagem que ninguém nomeiaAos vinte e cinco anos você não sabia nada e fingia que sabia. Agora tem décadas de informação sobre si mesma.Você vai chegar lá sabendo o que quer - o que nenhuma mulher de vinte e cinco consegue.Neste livro você vai encontrar - A escada de quatro fases que começa por pedir para mudar de mesa num café - e por que ela não conseguiu na primeira semana - Por que metade do seu repertório não é seu: foi construído a meias, e há coisas que você fez trinta anos sem nunca ter escolhido - O que fazer quando a primeira vez corre mal - e por que o que decide tudo são os vinte minutos seguintes - A conversa sobre saúde que ninguém tem nesta idade, e por que ela não é opcional - Os cinco sinais de um golpe afetivo - e como esse risco é usado para paralisar mulheres inteiras - O que responder à filha que pergunta "então era só isso que faltava, mãe?" - Por que viver junto não é prova de amor, e a quantidade de gente desta idade que vive em duas casas sem contar a ninguém - 67 Estreias curtas, reunidas no fim para consulta Para as mulheres que chegaram aos sessenta com uma vida inteira nas costas e uma frase por dizer.Você pode dizer o que quer. Ninguém vai deixar você por isso - e se deixar, ainda bem.Da autora de A Primeira Vez aos Cinquenta, A Cama Vazia e O Corpo Depois da Doença.
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