Braga, 1762. Tomás de Almada herda a melhor oficina do Reino e um órgão por acabar - com um registo que ninguém alguma vez ouviu: quarenta e nove tubos que cantam como gargantas. O pai gastou as últimas horas de vida a tornar-lhe impossível acabá-lo: deixou-lhe instruções que se anulam umas às outras, e uma caixa de cedro que nunca deve abrir.Na casa dos Almada há uma mulher que não fala. Ao fim de vinte e cinco anos de serviço tem oito cartas escritas e nunca entregou nenhuma. Ainda.Em 2025, Inês Salgueiro é encarregada do restauro do instrumento - selado desde a sua inauguração. Mas algo não bate certo. Pesa os tubos e as contas não fecham.Inês tem nas mãos a prova de quarenta e nove vozes roubadas. O que se faz com uma obra-prima quando se descobre que não foi apenas paga com vidas - foi feita delas?
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